domingo, 26 de abril de 2009

Simone e os 50 anos de carreira....de Alvim

O comunicador Fernando Alvim lançou recentemente o livro"50 anos de carreira". O título foi inspirado no facto de Simone ter comemorado tal marca em 2008

A reportagem é do programa da TVI Caia quem Caia onde Simone foi apanhada numa entrevista hilariante


Simone e Vitor de Sousa em Loulé - conferência "Horizontes do Futuro"

[texto retirado do site www.regiao-sul.pt, autoria de PM/RS]

"Simone de Oliveira, um símbolo e exemplo para todas as mulheres portuguesas pelo seu percurso de vida e carreira, e Vítor de Sousa, actor e “declamador” de poesia como poucos em Portugal, foram os dois convidados de mais uma conferência “Horizontes do Futuro”, que decorreu na noite do passado dia 23, no Salão Nobre da Câmara de Loulé.
Num tom mais informal do que as conferências anteriores e perante um público marcadamente feminino, os dois convidados abordaram diversos temas do passado, sobretudo sobre as suas vivências pessoais e num diálogo entre ambos e o público, que abarcou várias situações do quotidiano passado e presente, perspectivando o que poderá ser o futuro da sociedade portuguesa e do papel da Mulher. Amigos de longa data, os dois artistas têm partilhado o palco, por exemplo na célebre peça inspirada “A Tragédia da Rua das Flores”, ou nas “Conversas de Camarim”. E essa cumplicidade foi bem notória ontem à noite, até nos poemas escolhidos por Vítor de Sousa para declamar nesta noite, de poetas como Ary dos Santos, Sophia de Mello Breyner Andresen, Rita Olivais, Alda Lara ou Rosa Lobato Faria.
Apesar de assumir que tem “um feito um pouco complicado”, Simone referiu que são pontos a seu favor a sua frontalidade e o facto de se bater sempre pelas suas ideias e não aceitar injustiças e má educação. Talvez tenha sido esse o segredo do seu sucesso enquanto artista mas também o que lhe permitiu ultrapassar as diversas contrariedades da vida. E foi por aí que Simone começou. Pelo seu primeiro casamento, com apenas 19 anos, que não durou mais de 2 meses devido às agressões físicas por parte do marido e que a levaram a fugir de casa. “O que me choca é que hoje continuamos a ter imensos casos de violência doméstica”, referiu, adiantando que “somos o país do faz de conta”. Mas apesar da mágoa deste momento que marcou a sua vida, Simone retira dele o lado positivo pois foi a partir daí que começou a cantar “por recomendação médica, pois nessa altura ainda não havia o Prozac”.
A forte ligação com os seus filhos (“são a coisa mais importante da minha vida”) e as dificuldades em registá-los depois da separação, face às dificuldades burocráticas nesta matéria impostas pela Ditadura, e os relacionamentos com Henrique Mendes e Varela Silva também serviram de tema à conversa.
Mas como não podia deixar de ser, as questões mais controversas da sua carreira como a rivalidade com Madalena Iglésias (“uma mulher extremamente bonita e muito certinha”) ou o facto de a conotarem com o regime de Salazar serviram também para algumas reflexões. E quando questionada por Vítor de Sousa sobre “onde estavas tu no 25 de Abril?”, a intérprete da “Desfolhada” descreveu “o bonito dia de sol” em que ia dar um concerto em Almada mas que foi cancelado por causa do movimento revolucionário. A política, de resto, foi um dos assuntos abordados e sobre o qual Simone disse manter uma certa distância, até porque considera que um dos problemas actuais é “a falta de credibilidade dos políticos” e também o facto de “haver poucas mulheres na política”. “Nunca fui muito interessada politicamente mas apoiei alguns presidentes da República como Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio”, adiantou.
Também em relação à religião manifestou a sua descrença nos mandamentos da Igreja e nas suas posições polémicas face, por exemplo, ao uso de contraceptivos. “Se a Igreja quer ser credível tem que dar exemplos que não dá. Não acredito nos padres. Os homens é que fizeram as leis da Igreja. Porque é que o preservativo é pecado?”, questionou. Mas, por outro lado, assumiu perante o público louletano o seu lado esotérico que a faz irradiar energia positiva. De José Carlos Ary dos Santos, autor de muitas das canções que marcam a sua carreira e também amigo do coração, contou alguns episódios especiais. E foi precisamente quando Vítor de Sousa declamou um poema de Ary dos Santos intitulado “Nome” e dedicado à cantora que Simone mais se emocionou.
Para encerrar a noite, Simone deixou um conselho às mulheres portuguesas e que tem sido um lema na sua vida, mesmo nos momentos mais difíceis como foi o período em que lutou contra o cancro: “Acreditem no sonho! Acreditem sempre que vale a pena pois não podemos perder a capacidade de sonhar e de amar!”.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Simone em entrevista à revista CARAS

“Tenho sido posta à prova durante toda a minha vida”

(entrevista retirada do site caras.pt. Texto de Cláudia Alegria. Destaques da responsabilidade da equipa do "O Canto de Simone")

Ao longo dos seus 71 anos, a cantora já foi vítima de violência doméstica e superou dois cancros da mama. É uma mulher de garra, de paixões assolapadas. Vive intensamente as alegrias, os sucessos, os problemas... enfim, a vida. São 71 anos de reconhecido talento para a música e para a representação, durante os quais também enfrentou muitas vicissitudes e contrariedades. A primeira foi aos 19 anos, quando percebeu que era vítima de violência doméstica. Por isso, ao fim de apenas três meses de casada, decidiu fugir de casa. Pouco depois entrou em depressão, da qual só conseguiu sair graças à música. Enfrentou duas vezes o drama do cancro da mama: o primeiro há 21 anos, o último há dois. Amarguras que nunca lhe conseguiram roubar a alegria de viver. “Adoro viver! Continuo a gostar de sair à noite, de guiar, de beber um copo”, assegurou Simone de Oliveira nesta entrevista à CARAS.


– Comemorou recentemente 50 anos de carreira, 71 de idade. Apesar de todas as contrariedades, o balanço de vida continua a ser positivo?

Simone de Oliveira – Com certeza. Uma pessoa que chega a esta idade, que tem a sorte de ser entrevistada para a CARAS, é estar no pico do mundo! [risos] Têm sido 70 anos muito bons, misturados com alguns balanços de saúde menos positivos, mas, uma vez mais, ultrapassados. Estou convencida de que tenho uma ‘estrelinha’ que me tem apoiado. Não digo que seja Deus, porque não vou muito por aí...


– Mas é católica?

– Sim, mas não sou praticante. Sou baptizada, fiz a Comunhão Solene e o Crisma, e, infelizmente, casei-me pela Igreja.

– Infelizmente porquê?

– Porque mais tarde isso me impediu de muitas coisas, inclusivamente de baptizar os filhos que tive posteriormente, noutra relação. Tive de esperar dez anos para que eles não ficassem com o nome do meu primeiro marido.

– Sente que tem sido constantemente posta à prova?

– Sinto. Aliás, começou muito lá atrás...


– Com uma depressão aos 19 anos, por causa do seu primeiro casamento…

– Sim, fui vítima de violência doméstica. Casei-me aos 19 anos, mas separei-me logo. Tive medo e fugi. Hoje fala-se muito de violência doméstica, mas há 50 anos toda a gente tinha vergonha de falar nisso e medo de voltar para casa. Mas eu tive a sorte de ter um pai e uma mãe brilhantes.

– Há dois anos descobriu outro tumor maligno na mama, 20 anos depois de ter combatido o primeiro. Sentiu diferenças na forma como foi tratada?

- Senti diferença no método e na forma de tratamento. Há 20 anos fiz 50 sessões de radioterapia e desta vez fiz mais 35. Agora entrei numa espécie de nave espacial, com raios laser e portas de aço, da outra vez entrei numa casinha, deitei-me numa marquesa com um aparelho muito grande por cima de mim, e a única coisa que ouvia era o bater do meu coração e o tiquetaque do relógio. A senhora que trabalhava naquele consultório disse-me que um dia havia de morrer de cancro, e morreu, porque a sala não tinha protecção nenhuma... Desta última vez fiz os tratamentos durante as gravações de uma telenovela, porque não me senti agoniada nem maldisposta.

– Chorou nessa altura?

– Não, desta vez não chorei. Da outra vez chorei duas vezes violentamente, uma delas agarrada às mãos do meu filho. Eu fujo à frente do medo! Nunca deixei de fazer os exames de seis em seis meses, mas a verdade é que das duas vezes fui eu quem se apercebeu de que algo estava errado, o que os médicos acabaram por confirmar. Tenho tido muita sorte... Desejava ardentemente que todas as mulheres que passam por isto tivessem sempre a sorte que eu tenho tido. Claro que cada tumor é um tumor, cada pessoa é uma pessoa, mas também acredito muito na força da nossa mente.


– Com uma vida tão rica, o que lhe falta ainda fazer?

– Morrer... Tenho 71 anos, dois filhos, quatro netos, tenho os prémios todos deste país, as condecorações, continuo a ter a voz óptima, um cabelo maravilhoso... Um dia destes saio de casa, levo com um tijolo na cabeça, e acordo a cantar a Desfolhada para o São Pedro. O que me falta fazer? Já não vou ter uma casa com piscina, nem ganhar discos de platina ou tão-pouco cantar mais 50 anos e viver mais 70.


– Continua a deixar o candeeiro da sua sala aceso, como passou a fazer desde que o seu marido, Varela Silva, morreu?

– Sim, continua aceso nesta altura, mas um dia destes perco esse hábito.

– Já tentou fazê-lo?

– Já, mas depois chego à rua e acabo por voltar atrás para o acender.

– Sente o peso da solidão?

– Há ocasiões. Eu sou naturalmente uma pessoa solitária, embora tenha muitos amigos à minha volta. Vivo sozinha e às vezes não é muito confortável chegar às 11h da noite e pensar que me pode acontecer alguma coisa e não ter tempo de chegar à porta...

– Nunca ponderou voltar a partilhar a sua vida com alguém?

– Tenho uma casa de duas assoalhadas. Se entrasse alguém por uma porta, eu teria de sair por outra! [risos] Não viveria jamais com ninguém.


– Jamais?

– Estou tão bem assim... Saio com quem quero, almoço e janto com quem quero... Vivi 33 anos com o Varela, 17 dos quais maritalmente... Não voltaria a viver dentro da mesma casa com outro homem. Tinha de ser alguém alto, bonito, com uma idade compatível com a minha, inteligente, rico, não chato, e viúvo ou divorciado, para poder estar comigo calmamente. Não dava muito jeito agora ter de andar a fugir de porta em porta... Já o fiz há muitos anos, não tenho vergonha nenhuma de o dizer. Mas com esta idade, ainda por cima com uma prótese da anca, tinha que andar de bengala rua acima rua abaixo, não dava jeito nenhum!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Porque É Que Nunca Ganhámos A Eurovisão?" - espectáculo com Simone

Festival RTP da Canção de 1997. Simone fazia 40 anos de carreira. Na altura, fazia televisão (novelas Roseira Brava e Vidas de Sal), rádio (Se a manhã se despenteia) e teatro (Quem tem boca vai ao Roma).
Além de toda a actividade profissional, participava com alguma regularidade nas galas da RTP produzidas por Filipe La Féria.
O tema do espectáculo do Festival da Canção era o facto de Portugal nunca ter ganho. De destacar a caricatura de Helena Isabel e a interpretação de Apenas o Meu Povo pela Simone


Simone e Amália @Piano Bar

Simone teve o seu próprio talk show nos anos 80. Chamava-se Piano Bar. Nele, as entrevistas às personalidades da época e a música. Tudo ao estilo e com a forte marca de Simone.
No último programa, a entrevista a Amália Rodrigues. A uma Amália que mostra as suas fragilidades (como a referências às tentativas de suicídio) tal como mostra o seu humor inteligente.
O Canto de Simone publica aqui esta gravação de autoria de "antoniomcmoreira". Uma entrevista para ver e aprender



domingo, 12 de abril de 2009

Simone - Os Gatos

O poema é de José Carlos Ary dos Santos. "Os Gatos" foram escritos para os 25 anos de carreira de Simone num projecto que nunca saiu do papel. Desse projecto fazem parte poemas como "A Cidade", "O País do Eça", "O nome" entre outras.

O espectáculo é a Vez e a Voz, espectáculo de comemoração dos 25 anos de carreira de Simone

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Fotos de Simone

(Foto retirada do blog http://ruimoraisdesousa.blogspot.com/)

40 anos de Desfolhada - Simone no "Uma canção para ti - 2009"

O programa da TVI, "Uma canção para ti" pretende mostrar novos talentos. Goste-se ou não, tem a grande virtude de mostrar o que temos de melhor: a música portuguesa.
Neste vídeo 3 concorrentes cantam a Desfolhada com Simone. Note-se a humildade da Simone e a frescura da Desfolhada, 40 anos depois do festival


quarta-feira, 25 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - O século ilustrado do dia da vitória

Imagem retirada aqui
(site www.pcp.pt)

40 anos de desfolhada - Histórias do festival

"Em 1969, ano da vitória da canção "Desfolhada portuguesa" defendida por Simone de Oliveira, as montras da baixa lisboeta decoravam-se para o efeito com posters, discos e cartazes dos participantes, e um carro circulava pelas ruas fazendo publicidade à canção que Artur Garcia iria defender "Sombra de Ninguém".
O festival realizou-se nesse ano no Teatro Municipal de S.Luís e foi apresentado pela actriz Lourdes Norberto, que foi muito criticada pela imprensa da época tendo fechado o evento a fadista Maria Teresa de Noronha.
"

Notícia retirada do site: http://tv1.rtp.pt/noticias

40 anos com Desfolhada - Simone nos anos 80

O vídeo que se segue, retirado do Youtube, é uma gravação da RTP Memória.



Simone participa num espectáculo de homenagem a Hermínia Silva. No vídeo a Desfolhada num tom de fado. A sensualidade e a interpretação próprias de uma artista chamada Simone


sexta-feira, 20 de março de 2009

40 anos de desfolhada - Madrid

Uns dias antes Simone ganhava o festival no Teatro S.Luiz, em Lisboa.

Como a própria afirma, "sabia muito mal o poema e vi quem não deveria ter visto na plateia. Podia ter dado para fugir...."





Depois de Madrid, o país mergulha em estado de "Simonite". Os muitos concertos levam a que, em poucas semanas, Simone perca a voz que a tornou a menina dos festivais

domingo, 15 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - A visão de Espanha


É assim que cantora e a interpretação da Desfolhada é vista por "nuestros hermanos"

"Simone de Oliveira cantó la melodía de Portugal. Una canción de estilo clásico con aires de fado era la aportación de este país. Sacó un vestido precioso verde en gasas, muy elegante. mientras las chicas del coro iban de rojo, así hacían la bandera portuguesa. Dirigió la orquesta Ferrer Trinidade. Aunque el tema no fuese lo suficientemente "moderno" para lo que se esperaba en comparación de lo que se escuchó esa noche, éste era muy original, precioso sin más. Los jurados no lo vieron así y solo consiguió 4 puntos por parte de España, Bélgica y Francia, quedando en penúltima posición. En el coro que la acompañaba figuraban Antonio Luis Gómez, Maria Alexandra de Brito y Natalia Rodrigues de Matos. El título era Deshojada, en español, que fue como se mantuvo ya que en portugués era "Desfohlada portuguesa". La composición es de Nuno Nazareth Fernandes y la letra de José Carlos Ary Dos Santos. Este tema que tenía una letra muy feminista pasó a medias la censura en España que era muy reticente a cualquier proclama de cualquier tipo, con todo la letra bastante poética confundió tanto a los regímenes salazarista como franquista y pudo ser expuesta en el Festival, aunque salió muy perjudicada en los votos."
(informação retirada do site http://www.eurovision-spain.com)

40 anos de Desfolhada - O poema

Escrita em 1968. Foi inicialmente patenteada com o título Desfolhada Portuguesa, modificado pelo autor em 1969 para Desfolhada.

Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.
Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.
É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor
filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor.
Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.
Minha raiz de pinho verde
meu céu azul tocando a serra
oh minha água e minha sede
oh mar ao sul da minha terra.
É trigo loiro
é além tejo
o meu país
neste momento
o sol o queima
o vento o beija
seara louca em movimento.
Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.
Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.
Moira escondida
moira encantada
lenda perdida
lenda encontrada.
Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.
Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.

letra de José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, 13 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - o vinil


Devido à participação no festival RTP da canção, os artistas gravam um trabalho de promoção da canção do evento

No vinil de Simone do festival de 69 as músicas eram:
Desfolhada Portuguesa
Cinco quadras Cinco Pedras
Ave-Maria do Povo (considerada como uma das mais políticas do reportório de Simone)

quarta-feira, 11 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - O vídeo do festival RTP da canção

O video é bastante conhecido. Corresponde à interpretação de Simone no festival RTP da canção que conduziu ao primeir lugar nesse ano.

A interpretação depois da vitória, ao contrário do que publicamos não existe na RTP. Vários foram os momentos da carreira de Simone que perdemos rasto. Mas a memória dos seus admiradores permite transmitir aos mais novos partes dessas memórias.

Obrigado pelo vosso contributo

sexta-feira, 6 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - A canção mais mobilizadora e entusiasmante do festival


"Das participações portuguesas na Eurovisão, a "Desfolhada" de Simone de Oliveira está longe de ser a mais bem sucedida (Lúcia Moniz, em 1996, ganhou esse rótulo), a historicamente mais marcante (Paulo de Carvalho, em 1974, viu "E Depois do Adeus" transformado em senha de revolução), mas constituiu, sem dúvida, a mais entusiasmante e mobilizadora de todas. Segunda participação eurovisiva de Simone de Oliveira (que tinha já sido enviada a Nápoles para defender "Sol de Inverno" em 1965), a "Desfolhada" mereceu honras de causa nacional. Em Madrid recebeu apenas quatro magros pontos (dois espanhóis, um francês e um belga), para verdadeiro luso-escândalo. A cantora foi, de resto, esperada em Santa Apolónia, ao regresso, com sonora manisfestação de desagravo. Com lágrimas e palavras de ordem! Inesperado estatuto para uma canção que chocou a moral da época ao cantar "quem faz um filho fá-lo por gosto". "
foto e artigo in DN, data não identificada

quinta-feira, 5 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - #3 - Simone e a "Desfolhada"

Esta "Desfolhada" que nos vai representar em Madrid começou por ter história muito antes de uma classificação a ter imposto como a melhor. Destinada pelos autores a Elisa Lisboa, a breve trecho se concluiu que ensaios, gravações, provas de vestido e cabeleireiros se não coadunavam com a actividade da jovem amadora, integrada no elenco artístico do Teatro Experimental de Cascais. Houve uma hipótese chamada Verónica (que Ary dos Santos pôs de parte ao ouvir um dos seus discos), antes de se solicitar a colaboração de Simone. Feita muito a medo, teve entretanto a melhor correspondência da cançonetista que, nestes felizes instantâneos de Henrique Fúzia, vemos assistindo às démarches desenvolvidas (telefonicamente) para apanhar o maestro Joaquim Luís Gomes "um caso de vida ou de morte" foi o meio (eficaz) para uma rápida comparência que terminou em longo abraço. Depois, trabalho no duro, logo com a primeira experiência de tom e de voz. Dificuldades (afinal) em glória...



Fonte: Jornal "Num País Chamado Simone"

quarta-feira, 4 de março de 2009

40 anos de Desfolhada - #2 - Deshojada

Imagem retirada do site http://esc1969.no.sapo.pt/

En 1969, Eurovisión en Madrid. Simone de Oliveira vuelve a intentarlo por Portugal con "Desfolhada" ("Deshojada"). El título original de la canción sonaba tan mal en la España de Franco, que automáticamente fue traducida al castellano. Así, en el rótulo se puso "Deshojada", y Uribarri, que se estrenaba ese año como comentarista de Eurovisión, tampoco se atrevió a pronunciar el título en portugués. El tema quedó en el anteúltimo puesto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

40 anos de desfolhada #1

foto retirada do blog http://festivaistv.home.sapo.pt/

"Mãe, cante bem. Cante para mim"

(Pedido feito pela filha da Simone antes do festival)

Imprensa - Record - 1999

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Simone 1969 - 40 anos de Desfolhada



Março de 1969 - O festival RTP da canção desse ano ficaria marcado pela canção de José Carlos Ary dos Santos e de Nuno Nazareth Fernandes - A Desfolhada.

Escrita, numa primeira fase para Amália Rodrigues, teve como primeira escolha Elisa Lisboa e como segunda escolha Madalena Iglésias.

Mas foi Simone que lhe deu vida e voz no palco do teatro S.Luiz e no teatro real de Madrid. O verso "Quem faz um filho fá-lo por gosto" foi cantado de tal forma que chegou aos dias de hoje.

A foto (retirada do blog Rua dos dias que voam), mostra a Simone desse ano

Este vai ser o mês da DESFOLHADA aqui no Canto de Simone.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

“É a nossa maior diva.” – Simone de Oliveira em entrevista exclusiva à revista TV Guia – 2ª parte

Que foi uma consequência de…

… violência doméstica. De um casamento de onde fugi por violência doméstica. Foi um tratamento que foi preciso inventar ao tempo – a minha filha vai fazer 50 anos, e não é certamente dessa ligação –, pois não havia nada. Quero dizer, não havia o que há hoje, a psiquiatria, a psicologia, o Xanax, os Prozacs…

Não quer falar, e eu, evidentemente, respeito isso. Mas foi uma violência muito marcante?

Eu fugi.

Foram três meses. O casamento durou três meses…

Sim. Talvez nem tanto.

Mas casou-se por amor?

Acho que sim.  Devia estar um bocadinho distraída. Repare: você ponha isto há cinquenta anos. Tinha 19 anos quando casei. E as mulheres casavam e tinham filhos e ficavam em casa a tomar conta das crianças…

… e era esse o seu objectivo de vida, aos 19 anos?

Não, eu teria sido… [pausa] Nunca pensei cantar. Jamais, em tempo algum. O meu sonho era ser professora de Germânicas.

Namoravam, casavam e tinham uma vida tranquila. Era esse o sonho das mulheres de então?

Era o objectivo de qualquer rapariga de 18 anos, daquela altura, em 1956. Uma vida pequeno-burguesa. O meu pai era chefe de uma fábrica, não era português. Talvez daí o meu lado um bocado diferente de uma mulher completamente portuguesa. O meu pai era um homem verdadeiramente extraordinário, brilhante. O meu pai era, e ainda é, o homem.

Como é que o seu pai reagiu quando soube que a sua filha ia casar-se aos 19 anos?

Tranquilamente. Naquela altura era normal. Era normal casar-se pela Igreja… Haveria já uns casamentos civis, mas muito poucos, muito poucos.

Portanto, casou pela Igreja?

Casei, casei. Em 1957, ou 56, já nem me lembro!

Imagem04Esta é a 2ª parte de uma grande entrevista de Simone de Oliveira à TV Guia da semana de 13/02/09 a 19/02/09. Pedimos desculpa pela qualidade das fotografias mas foi a única maneira de as podermos partilhar convosco. Esperamos compreensão.

Imprensa - Simone - Entrevista ao DNa




brevemente....

Imprensa - Simone - "Confesso que vivi"


Abril de 1999


Simone dá uma entrevista á revista "Amoreiras"

A editora da revista anunciava, assim, a entrevista

"Palavras para quê, é uma artista portuguesa que todos conhecem. Todos, talvez não... As gerações mais novas não têm essa sorte. O meio artístico português é cruel para com os consagrado. Simone de Oliveira está na nossa capa e está muito bem" (Maria José G. Sousa)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Canto de Simone - Era o verde

Poema de Simone de Oliveira



Era o verde
Era o verde
Que havia no teu olhar
Que de tão verde e brilhante
em tudo se parecia
Com outro verde que havia
No mar, no céu,
na maresia
Daquela terra distante

Era o verde
Era o verde
Que havia no teu olhar

Era a terra
Era a terra
Que entrava naquela casa
Onde janelas imensas
Sem cortinas penduradas
Rasgam paredes caiadas
E o amor é guarda-vento
Nas portas escancaradas
Era a terra
Era a terra
Que entrava naquela casa


Era a força
Era a força
Por dentro da madrugada
Ela sim, senhora e dona
De mandar embora o vento
Daquela casa encantada
Onde o Sol para se aquecer
Ficou a morar na escada
Era a força
Era a força
Por dentro da madrugada


E assim a gaivota filha
Parida deste sonhar
que tem sido a minha vida
É a terra e mais a força
Tem verde mar no olhar
É o meu país saudade
A crescer noutro lugat


Ai a terra
Ai a força
Ai o verde
Ai o mar

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Discos de Simone - À Tua Espera

Lado 1

À Tua Espera
(ToZé Brito/Pedro Brito)

Canção concorrente ao Festival O.T.I. 1980

Lado 2

Te Espero
(ToZé Brito/Pedro Brito/A. Garrido)



Fialho Gouveia, jornalista da RTP que acompanhou Simone no Festival O.T.I. 1980, contava que durante o ensaio geral, depois de Simone ter cantado "À Tua Espera" a orquestra não se conteve e levantou-se para aplaudi-la. Sempre a nossa Simone!

À Tua Espera

Primeiro são os teus passos pela escada.
A madeira a dizer-me que chegaste.
Depois a porta
a pouco e pouco aberta.
e o silêncio que só prova que já entraste
Pela luz do teu cigarro eu adivinho
Que caminho tem as roupas pelo chão
E tu pensas que eu ainda estou dormindo
E eu penso que aprendi já a lição
E então, pé ante pé, braço ante braço
Deitas-te a meu lado quase a medo
E atrasas o relógio que há no quarto
Para, se eu acordar, pensar ainda é cedo
E cedo, sinto e sofro a tua mão
Descendo pelo meu corpo devagar
Eu penso que aprendi já a lição
E juro que não vou nunca mais acordar
Pergunto-te a dormir
- que horas são?
Protesto, digo não mas, como sempre
Acabo com os teus lábios no meu peito
E os teus dedos brincando ardendo no meu ventre
E abro-te o meu corpo de mulher
Esqueço a raiva, a mágoa, as amarguras
Cá dentro nasce o sol, já é manhã
E o relógio do quarto ainda bate as duas
Primeiro são os teus passos pela escada....
Comentário de Simone sobre esta cantiga no Intimidades (2002) "esta tem só um bocadinho de malandrice"

“É a nossa maior diva.” – Simone de Oliveira em entrevista exclusiva à revista TV Guia – 1ª parte

“Aos 71 anos, Simone de Oliveira faz revelações únicas

“Adoro viver!”

É a nossa maior diva. Com uma franqueza desarmante, fala de tudo. A violência doméstica que sofreu do primeiro marido, recorda o “lindíssimo” cardeal Ribeiro, as traições de Henrique Mendes, a morte de Varela e a luta contra o cancro

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Os portugueses habituaram-se a ouvi-la falar sem medo das palavras. Em 51 anos de carreira, já provou que é um exemplar irrepetível, uma mulher única que aprendemos a admirar. Já fez teatro, cinema, televisão e é senhora de uma voz carregada de alma. E tem sido, desde sempre, um exemplo. Ela perdeu o peito, o marido, teve de substituir a anca e, mesmo assim, dá-nos um testemunho incrível de vida. Nesta entrevista, fala disso tudo, mas também de temas que têm sido tabu: a violência doméstica no primeiro casamento, a relação com Henrique Mendes e até as confidências com o cardeal Ribeiro.

Nesta semana, na terça-feira, 11, Simone de Oliveira fez 71 anos. Com a coragem e a frontalidade que se lhe reconhecem, aceitou falar para a TV Guia e recordar algumas das pessoas e dos acontecimentos mais marcantes da sua vida. Ela sabe que desperta paixões e ódios e que dificilmente alguém lhe fica indiferente. Esta entrevista é uma lição de frontalidade. Obrigado, Simone!

Se agora, por artes de mágica, pudesse voltar atrás, voltava a fazer tudo de novo?

Praticamente tudo. Não sou pessoa de me arrepender. Reconheço que haveria meia dúzia de coisas que teria burilado. [Simone segura, neste momento, uma moldura em que aparece, com pouco mais de 20 anos, e outra, tirada na actualidade.] Repare que aqui, em mais nova, tenho uma cara triste. Sou hoje muito mais alegre do que era nesta altura. Nesta altura, tive uma vida muito, muito complicada.

É possível ser-se triste aos vinte e poucos anos?

Se tivesse passado você por aquilo que eu passei…

E por que é que passou?

São histórias de que eu não falo, como costumo dizer. Comecei a cantar por receita médica!”

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Esta é a 1ª parte de uma grande entrevista de Simone de Oliveira à TV Guia da semana de 13/02/09 a 19/02/09. Pedimos desculpa pela qualidade das fotografias mas foi a única maneira de as podermos partilhar convosco. Esperamos compreensão.

Conversas de Camarim - Montijo

Imagem retirada do blog famafest06.blogspot.com


"Uma Mulher e um Homem, duas figuras públicas, distintas, com percursos de vida diferentes, unidos pelo gosto da palavra e pela forma de a dizer. Duas vidas, uma no feminino e outra no masculino e que em palco se completam, complementam, desafiam e dão o melhor de si. São portugueses, falam português e divulgam a língua nas mais diversas formas de arte."


É assim que o site da Câmara Municipal do Montijo (cine-teatro Joaquim de Almeida), apresenta os 2 espectáculos de Conversas de Camarim com Simone e Vitor de Sousa:

O 1º, dia 07/Março, SÁBADO pelas 21:30

O 2º, dia 08/Março DOMINGO pelas 16:00 (este destinado a grupos com reservas)


Preço: 8 euros

Duração 100min

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009